Brasil será castigado se não investir mais em logística e transporte

O Brasil aplica 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) em transporte e logística, metade da média mundial. Isto poderá implicar em sérios problemas para os donos de transportadoras. É muito importante que o gestor de transportes e logística esteja atento a todas as notícias, legislação e novidades do setor. É preciso estar sempre a frente de seus concorrentes e não sofrer em decorrência da baixa aplicação do PIB em transporte e logística.

O setor de logística e transporte precisa estar atento às novidades do seu mercado para não sofrer em decorrência da baixa aplicação do PIB nesse mercado.

Reprodução

Brasil aplica apenas 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) em logística e transporte.

O alerta é do presidente do Senado, Renan Calheiros, que participou da abertura do painel “Infraestrutura de transporte e logística: desafios e perspectiva”, realizado no Instituto Legislativo Brasileiro (ILB).

Renan observou que a média mundial de investimento na área é de 1,2% do PIB. O Brasil investe somente metade disso, lamentou. O resultado, segundo ele, é que a “aritmética cobrará seu preço a médio e longo prazos”, gerando prejuízos irrecuperáveis à economia do país.

O senador disse que o transporte de soja via porto de Santos para Shangai, na China, custa US$ 180 por tonelada. Os Estados Unidos conseguem exportar para aquele país asiático o mesmo produto por US$ 108 a tonelada.

Renan Calheiros disse que o Senado tem atuado para melhorar o setor. Citou como exemplo o trabalho da Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI) que, no ano passado, avaliou o Plano Nacional de Logística e Transporte. O resultado, segundo ele, foi um diagnóstico preciso. Além de 19 propostas enviadas ao Poder Executivo e outras cinco encaminhadas para tramitação no Legislativo.

Saiba mais sobre o PNLT (Plano Nacional de Logística e Transporte)

A partir da década de 70, verificou-se que a diminuição do nível de investimentos em infraestrutura de transportes ocasionou problemas no sistema em todo o Brasil. Devido a tal ocorrência, foram verificadas ineficiências, custos adicionais. Além de perda de competitividade, aumento nos tempos das viagens, acidentes, dentre outros problemas.

Além disso, a adoção de uma matriz de transporte focada no modal rodoviário também gerou graves problemas. Problemas estes sentidos até hoje pelos brasileiros e por sua economia. Quando se fala em matriz de transporte no Brasil, pode-se dizer que a matriz é bastante desbalanceada se comparada com outros países de dimensões semelhantes como Rússia, Canadá, EUA e Austrália.

Diante do quadro crítico experimentado, o Ministério dos Transportes apresentou à sociedade brasileira o PNLT (Plano Nacional de Logística e Transportes). Este plano vem com o objetivo de resgatar o planejamento estratégico no setor de transportes. Teve a participação de uma equipe técnica de alto nível responsável pelo seu desenvolvimento, inclusive utilizando-se do CENTRAN, Centro de Excelência em Engenharia de Transportes. O CENTRAN foi fruto da colaboração entre o Ministério da Defesa e o Ministério dos Transportes.

Foco até em 2023

Algumas premissas foram adotadas para o desenvolvimento do PNLT. Uma delas é que o PNLT é um plano para o Estado Brasileiro e não um simples Plano de Governo. O PNLT tem seu horizonte focado até 2023. Utiliza-se de planejamento científico que tem como base um banco de dados georreferenciados contendo todos os principais dados de interesse do setor e modelo macroeconômico para análise, simulação e projeção do sistema de transportes no Brasil.

O PNLT é também considerado como inovador. Concilia/considera aspectos logísticos, custos envolvidos em toda a cadeia de transporte partindo das origens até os destinos, sustentabilidade com o meio ambiente, redução das desigualdades regionais, indução ao desenvolvimento sustentável e uso adequado das modalidades ferroviária e aquaviária no transporte de cargas. Além disso, a participação dos diversos atores no seu desenvolvimento foi de fundamental importância. Cita-se: usuários, universidades, operadores de transportes, setores produtivos (agricultura, indústria, comércio, etc), governos estaduais, governo federal, associações, entidades, órgãos etc.

Outra inovação foi a forma de reestruturação do país em Vetores Logísticos. Vetores Logísticos representam uma nova forma de organização espacial do país. Consiste em microrregiões homogêneas agrupadas em função da superposição georreferenciada de diversos fatores representativos para melhor analisar o portfólio de investimentos.

Dessa organização, resultaram sete agrupamentos chamados de Vetores Logísticos:

• Amazônico;
• Centro-Norte;
• Nordeste Setentrional;
• Nordeste Meridional;
• Leste;
• Centro-Sudeste;
• Sul.

O PNLT com seu portfólio de projetos prioritários já é considerado como marco histórico no processo de resgate do planejamento do sistema de transporte no Brasil. Visa o desenvolvimento econômico do país com a participação da sociedade e demais atores envolvidos como forma de racionalizar gastos públicos e de se conseguir eficiência nos serviços executados.

Envie um comentário